terça-feira, 6 de abril de 2010








Alheia


Esperou passar as horas
Olhou o céu cinzento e as nuvens eram mais rápidas que o ponteiro do seu relógio
Esperou como quem esperasse a morte

Pensou que sua vida seria parte de um rio
Em que o leito muda de nível sem formar queda
Este nível era alto demais em seus pensamentos

Em meio a devaneios e risadas que não eram suas
Pensou em como seria diferente seu penar
As lágrimas cairam sobre seu rosto

Mas por egoismo ela segurava em suas mãos
Como quem quisesse encher as mãos de lágrimas
E atirá-las alto para que caíssem como pingos de chuva

O relógio desperta
Já amanheceu e sua boca se emudeceu
Extinguiu de suas próprias palavras

Sentindo o sol rasgando sua pele
O vento levando seu vestido
Saiu a rua a procura de motivos

Ela queria sorrir
Queria que sua vida fosse um rio
Queria que sua vida tivesse motivos
Mas não motivos a penar

Ela queria rir e riu como se fosse a primeira risada
O brilho do sol fechou seus olhos
O vento acariciou seu rosto

Ela esperou passar as horas em praça pública
Não abriu os olhos, nem relógio ela usava
Esperou como quem esperasse a vida

Pensou que sua vida seria parte de um rio
Em que o leito muda de nível sem formar queda
Este nível ela já estava vivendo
Mas não em seus pensamentos