quinta-feira, 22 de abril de 2010

O velho sambista tomava um gole a cada reivindicação 
Parecia sofrer por antecipação

Assim parece ser o velho sambista
Visto do vidro para fora, da praça  por trás dos vidros

Gesticulava com naturalidade e elegância 
Como se estivesse conversando com alguém de suma importância

Seria uma mulher ou um homem
Que desatinava o pobre homem?

A pessoa deveria ser importante
Pois um samba começou no mesmo instante

Ali mesmo na praça sem receio
Começa o samba sem começo nem meio

Confesso que é uma cena engraçada
Ver um velho rir sem escutar sua piada

Percebo que também estou sendo observada
Como pode ela escrever e comer?

Prestar atenção em "bobeira"
E tão depressa fazer uma "lavadela"!

Assim como o velho sambista
Não me importo com olhares curiosos

Sei que samba de bêbado é divertido
Eu sozinha ria atrás do vidro

Ele faz menção que vai sair
Tocar em outro lugar talvez

Fazer outras pessoas rirem assim como ele me fez

Ele da adeus ao seu amigo imaginário
Sai rindo 
Sai fazendo promessas

Com a latinha na mão toca o samba 
Samba meu, samba que imaginei então

Depois de ver um velho sambista
Que do vidro para fora parecia um artista 

O velho sai e eu fico
Fico sem final então

Hoje é feriado
E o meu samba está com horário marcado!