O velho sambista tomava um gole a cada reivindicação Parecia sofrer por antecipação
Assim parece ser o velho sambista
Visto do vidro para fora, da praça por trás dos vidros
Gesticulava com naturalidade e elegância
Como se estivesse conversando com alguém de suma importância
Seria uma mulher ou um homem
Que desatinava o pobre homem?
A pessoa deveria ser importante
Pois um samba começou no mesmo instante
Ali mesmo na praça sem receio
Começa o samba sem começo nem meio
Confesso que é uma cena engraçada
Ver um velho rir sem escutar sua piada
Percebo que também estou sendo observada
Como pode ela escrever e comer?
Prestar atenção em "bobeira"
E tão depressa fazer uma "lavadela"!
Assim como o velho sambista
Não me importo com olhares curiosos
Sei que samba de bêbado é divertido
Eu sozinha ria atrás do vidro
Ele faz menção que vai sair
Tocar em outro lugar talvez
Fazer outras pessoas rirem assim como ele me fez
Ele da adeus ao seu amigo imaginário
Sai rindo
Sai fazendo promessas
Com a latinha na mão toca o samba
Samba meu, samba que imaginei então
Depois de ver um velho sambista
Que do vidro para fora parecia um artista
O velho sai e eu fico
Fico sem final então
Hoje é feriado
E o meu samba está com horário marcado!