Dentre o silêncio de dentro e o barulho de fora, você consegue tropeçar nas próprias pernas constantemente.
Se fecha e fecha os braços. E mesmo assim ainda sente o vento tocar.
Sobe e desce as escadas sem cansar. Desce e viu que deixou algo importante cair.
E percebe que tem uma mancha. Você tenta limpar, mas o brilho não quer aparecer.
Você lava com água e sabão. E ainda sim fica uma mancha. Mas continua bonito.
Você gosta de olhar as formas e cores que ele ainda possui.
Coloca no lugar mais bonito de sua casa. Olha, mas não vê mancha. Vê algo que faz parte. Que só o tempo tem poder de fazer.
Em um piscar de olhos, se quebra. A mancha se mistura as partes decoradas. Você cola e ainda sim, é bonito de ser ver. Um mosaico de sentimentos. Você coloca em sua estante, em um lugar mais alto.
Tocar já não é mais possível. Um simples olhar, e ele se quebra. Ainda está frágil. E você ainda precisa escutar o barulho de dentro e o silêncio de fora. É preciso dar um passo de cada vez. É preciso abrir os braços, soltar os laços, dar-se uma chance e viver.

viver!

viver!